Por decisão unânime, a Primeira Turma do STF condenou Eduardo Bolsonaro por coação no curso do processo, estabelecendo pena de prisão, inelegibilidade e perda do cargo na Polícia Federal.
Primeira Turma do Supremo decide por unanimidade condenar ex-deputado federal
A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou, por unanimidade, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) pelo crime de coação no curso do processo. A decisão foi tomada nesta segunda-feira (16) e fixou uma pena de quatro anos e dois meses de reclusão, inicialmente em regime semiaberto, além da inelegibilidade por oito anos.
A Corte também determinou a perda do cargo que Eduardo ocupava como escrivão da Polícia Federal.
Ministros acompanharam voto do relator
O ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, foi o primeiro a votar e teve seu posicionamento acompanhado pelos ministros Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino.
Segundo a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), Eduardo Bolsonaro teria atuado para influenciar a aplicação de sanções internacionais contra autoridades brasileiras, buscando interferir em processos judiciais em andamento.
Moraes afirma que ações tinham objetivo de beneficiar Jair Bolsonaro
Durante a leitura do voto, Alexandre de Moraes afirmou que a atuação do ex-deputado tinha como finalidade favorecer o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo o ministro, houve uma tentativa de vincular a retirada de eventuais sanções à interrupção dos processos judiciais envolvendo o ex-presidente.
Moraes também declarou que as condutas ultrapassaram os limites da manifestação política e configuraram ameaças às instituições brasileiras.
“O exercício do mandato parlamentar não autoriza ações de pressão internacional contra o próprio país para interferir no funcionamento da Justiça brasileira”, destacou o ministro durante a sessão.
Eduardo Bolsonaro reside nos Estados Unidos desde 2025
O ex-deputado está nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025.
Durante a tramitação do processo, ele não indicou representantes jurídicos para sua defesa, fazendo com que a Defensoria Pública da União (DPU) assumisse sua representação legal.
Eduardo também não compareceu aos interrogatórios relacionados ao caso.
Defesa questionou a condução do processo
A DPU solicitou a anulação do processo e a absolvição do ex-parlamentar.
Entre os argumentos apresentados, a defesa sustentou que Alexandre de Moraes não poderia atuar como relator por ser uma das autoridades diretamente atingidas pelas supostas sanções mencionadas na denúncia.
Também foi questionada a forma de intimação utilizada pelo Supremo. A Defensoria argumentou que, por Eduardo residir no exterior, o procedimento adequado seria uma carta rogatória internacional, e não uma intimação por edital.
PGR aponta tentativa de interferência em investigações
De acordo com a Procuradoria-Geral da República, a estratégia atribuída a Eduardo Bolsonaro tinha como objetivo encerrar ações judiciais relacionadas à suposta trama golpista sem que houvesse condenações.
A denúncia afirma que autoridades brasileiras teriam sido pressionadas por meio da ameaça de sanções internacionais caso os processos não tivessem o desfecho desejado pelos investigados.
O empresário Paulo Figueiredo também foi denunciado, mas o processo foi separado e ainda aguarda definição de data para julgamento.
As autoridades brasileiras aguardam o cumprimento dos trâmites internacionais para a sua intimação nos Estados Unidos.
Fonte consultada: UOL Notícias
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