A Prefeitura de Campo Grande decretou intervenção no contrato do Consórcio Guaicurus após decisão judicial e apontamentos de irregularidades operacionais, financeiras e contratuais no serviço de transporte coletivo.
A Prefeitura de Campo Grande oficializou a intervenção no contrato de concessão do transporte coletivo urbano operado pelo Consórcio Guaicurus. A medida foi publicada no Diário Oficial desta terça-feira e atende a uma determinação judicial relacionada à prestação do serviço na Capital.
A decisão está vinculada a uma ação popular que determinou que o município, juntamente com a Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran) e a Agência Municipal de Regulação dos Serviços Públicos (Agereg), instaurassem um procedimento administrativo para apurar a situação da concessão.
Relatório apontou diversas irregularidades
A medida também se baseia nas conclusões apresentadas por uma comissão especial criada para analisar a execução do Contrato de Concessão nº 330/2012.
O documento identificou diversos problemas que, segundo a administração municipal, comprometem a qualidade e a segurança do transporte público oferecido à população.
Entre os principais apontamentos estão:
Descumprimento frequente dos horários previstos;
Falhas na realização das viagens programadas;
Problemas na manutenção dos veículos;
Insuficiência de frota reserva;
Aumento das reprovações em inspeções técnicas;
Veículos interditados por problemas operacionais;
Falta de atualização de informações obrigatórias para fiscalização;
Riscos financeiros capazes de comprometer a continuidade do serviço.
Também foi destacado o descumprimento da obrigação contratual referente à manutenção dos seguros obrigatórios vinculados à concessão.
Objetivo é restabelecer a qualidade do serviço
A intervenção tem como principais objetivos garantir a continuidade e a segurança do transporte coletivo, identificar as causas das irregularidades e avaliar a situação operacional, financeira, patrimonial e contratual do sistema.
Além disso, a prefeitura pretende apurar eventuais responsabilidades administrativas e apresentar soluções que permitam melhorar o atendimento à população.
Equipe interventora foi nomeada
O comando da intervenção ficará sob responsabilidade de Alexandro Adriano Lisandro de Oliveira, profissional com experiência na área regulatória e que atuou como diretor de Regulação e Fiscalização da Agência Municipal de Regulação dos Serviços Públicos Delegados de Cuiabá.
A equipe técnica também contará com os seguintes integrantes:
Interventor Administrativo-Financeiro: Rodolfo Bahiense Fernandes;
Interventor Jurídico: Alexandre Souza Moreira;
Interventor Operacional: Robson Tadeu Pereira.
Durante o período da intervenção, a equipe terá poderes para administrar a concessão e adotar medidas necessárias para garantir a continuidade e a regularidade do serviço público.
Custos serão pagos com recursos da própria concessão
A remuneração dos interventores será baseada nos valores de referência pagos anteriormente aos gestores máximos do Consórcio Guaicurus ou das empresas consorciadas.
Os custos da intervenção serão custeados com recursos vinculados à própria concessão, respeitando os limites estabelecidos pela legislação municipal.
A medida representa uma das ações mais significativas já adotadas pela Prefeitura de Campo Grande na tentativa de reestruturar o sistema de transporte coletivo da Capital.
Créditos:
Por: Wendell Reis | Investiga MS
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