Pantanal enfrenta crise hídrica histórica e registra a maior perda de água entre os biomas brasileiros

Junho 17, 2026
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Levantamento do MapBiomas revela que o Pantanal segue em situação crítica, com volume de água 56% abaixo da média histórica

Pantanal permanece em alerta e sofre impactos cada vez maiores das mudanças climáticas


O Pantanal voltou a registrar um cenário preocupante em 2025. Dados divulgados pelo MapBiomas apontam que o bioma apresentou a maior redução de superfície de água entre todos os biomas brasileiros, permanecendo 56% abaixo da média histórica registrada entre 1985 e 2025.


O levantamento mostra que o Pantanal foi o único bioma do país a permanecer abaixo da média durante todos os meses do ano, evidenciando uma mudança significativa no comportamento natural das cheias e secas que sustentam o equilíbrio ambiental da região.


Além disso, Mato Grosso do Sul liderou o ranking nacional de perdas hídricas, acumulando uma redução de 527 mil hectares de superfície de água em comparação com a média histórica.


Embora tenha apresentado uma recuperação em relação a 2024, o cenário ainda está longe da normalidade. Em 2025, o Pantanal contabilizou 679 mil hectares de áreas cobertas por água, número 34% superior ao registrado no ano anterior, quando o bioma enfrentou uma das secas mais severas das últimas décadas e somou apenas 506 mil hectares.


Mesmo assim, a área atual permanece muito distante da média histórica, estimada em 1,56 milhão de hectares.


Ciclo das águas vem sofrendo mudanças profundas


O estudo anual do MapBiomas Água aponta que a dinâmica hídrica do Pantanal vem se transformando ao longo dos anos.


Segundo a pesquisadora Mariana Dias, integrante da equipe Pantanal do MapBiomas, as grandes inundações que marcaram a década de 1980 deram lugar a períodos prolongados de estiagem, especialmente a partir de 2019.


De acordo com a especialista, a alternância entre os períodos secos e úmidos é fundamental para a manutenção da biodiversidade e do equilíbrio ecológico da região.


Os impactos também atingem a Bacia do Alto Paraguai e a Região Hidrográfica do Paraguai, que abrangem áreas dos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.


Somente em 2025, essa região perdeu 877 mil hectares de superfície de água em relação à média histórica, o que representa uma redução de 53,8%.


Corumbá lidera perdas entre os municípios brasileiros


Entre os municípios mais afetados, Corumbá, em Mato Grosso do Sul, registrou a maior redução do país, com perda de 474 mil hectares de áreas cobertas por água.


Na sequência aparece Cáceres, em Mato Grosso, que acumulou uma diminuição de 189 mil hectares.


O levantamento ainda destaca que mais de 99% da superfície hídrica do Pantanal é formada por corpos d'água naturais, tornando o bioma extremamente dependente do ciclo de cheias e secas para garantir sua sobrevivência ambiental.


Especialistas alertam que a continuidade dessas alterações pode gerar impactos profundos na biodiversidade, na economia regional e na disponibilidade de recursos hídricos para as próximas gerações.




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