O Partido Comunista do Brasil – PC do B está otimista em Dourados. Segundo o secretário de Formação e Organização do partido, professor Admir Cândido da Silva, os comunistas de Dourados querem fazer vários vereadores na próxima eleição. Já quanto à possíveis alianças para a prefeitura, ele explicou que o “partido está aberto à conversações”.
Segundo Admir, nas última eleições ele e os “camaradas” de partido optaram pela neutralidade em relação aos apoios políticos por questões ideológicas. Eles apoiaram o PT na época de Laerte Tetila, porém, quando o PT se uniu ao DEM, a neutralidade foi o caminho escolhido.
Mas, nas eleições deste ano eles querem ouvir qual linha se aproximará mais das linhas do “socialismo comunista”. “Em Dourados apoiaremos aqueles que tiverem propostas que vierem ao encontro dos anseios da sociedade”, garante Admir.
Na cidade são 300 os comunistas onde o partido chegou na década de 90. Em todo o Estado eles já são quatro mil. Segundo o professor, que também é membro da diretoria estadual do PC do B, o partido tem se mantido fiel á linha de esquerda e quer continuar assim.
“Nós trabalhamos pela qualidade de vida do cidadão, pela educação de qualidade, saúde, na luta contra a violência no campo, urbana ou contra mulher. Nossa linha é bem socialista”, explica.
Comedores de criancinhas
Durante a Guerra Fria, quando Estados Unidos e União Soviética lutavam pela hegemonia do poder mundial, os norte americanos “pintavam” os comunistas como um inimigo cruel, impiedoso, que concentrava em sua política tudo de ruim que existia.
No “Livro Negro do Comunismo”, por exemplo, Stephane Courtois conta que na década de 30, o ditador Stálin na Ucrânia teria castigado camponeses que não aceitavam a imposição do regime comunista com um cerco que resultou em um grande período de fome na região. O resultado teria sido o canibalismo. “(...) Era tão comum, que o governo imprimiu cartazes que diziam: comer a seus próprios filhos é um ato de barbárie”. Nascia aí a frase que seria usada para desmerecer qualquer pessoa que se disse comunista, atribuindo à elas os crimes de Stálin.
A Guerra Fria acabou com a dissolução da União Soviética, porém, a frase perdura até hoje. O partido foi tão perseguido que durante a Ditadura Militar brasileira ser considerado comunista era sentença de prisão, tortura e até de possível morte. Mas, essa imagem distorcida já mudou e continua mudando, conforme conta Admir.
“Sou ligado à grupos da igreja evangélica e da igreja católica e não encontrei nenhuma restrição nesse sentido [antes os comunistas eram condenados por os taxarem como ateus]. Hoje a política é muito aceita e o partido é um dos que mais crescem no Brasl”, explica.
O capitalismo
“O capitalismo selvagem é um inimigo ainda. Nossa intenção é implantar uma política que proporcione uma melhor qualidade de vida e distribuição de renda para a população”, explica Admir.
Antes de tirar a foto próximo do carro com um grande adesivo do PC do B no vidro traseiro, Admir explica que a campanha dos vereadores do partido será “pé no chão”, na base do diálogo com o eleitor e do “convencimento do que é melhor para a sociedade”. Nessa caminhada, ele disse também que poderá sair candidato, tudo depende do partido, onde na hierarquia tem como presidente local Francisco da Conceição (Chiquinho) e no Estado o sociólogo Moacir Roberto de Abreu.
MS JA