A morte de Paulo Roberto Cardoso Rodrigues, o Paulo Rocaro em Ponta Porã segue sem nenhuma pista dos mandantes nem dos assassinos. Rocaro sofreu atentado na noite de domingo quando voltava da casa do amigo e ex-prefeito da cidade, Vagner Piantoni, que é do PT, mesmo partido da vítima.
Quando trafegava pela Avenida Brasil, a principal de Ponta Porã, atiradores o perseguiram em uma motocicleta e o alvejaram com vários disparos. Paulo ainda dirigiu alguns metros, pediu socorro ao Corpo de Bombeiros e foi levado ao Hospital Regional onde faleceu na madrugada de segunda-feira.
Durante o velório do jornalista, o clima era de tensão. Ninguém sabia o motivo do crime. Informações desencontradas tentavam ligar o assassinato à atuação do jornalista, que com três livros publicados, um deles denunciativo sobre a atuação de milícias na fronteira, poderia ser vítima de pessoas em busca de vingança.
Outras conversas tentavam vincular a morte com denúncias diárias que publicava no Jornal da Praça e no site Mercosul News, onde trabalhava.
Já a Agência Brasil tentou fazer um link com o suposto dono do Jornal da Praça, que eles dizem ser o empresário Fahd Jamil, que na reportagem deles, “segundo documentos da Vara do Trabalho de Ponta Porã e da Justiça Federal (...) estava entre os acionistas do jornal”. Porém, oficialmente o jornal está em nome de Sandra Rebello.
“Conhecido como o Rei da Fronteira, em 2005 Jamil foi condenado, à revelia, a 20 anos de prisão por tráfico internacional de drogas. Desde então, está foragido. O que não impediu a 3ª Vara Federal Criminal de Campo Grande a condená-lo,em 2007, a mais de 12 anos e seis meses de prisão, em regime fechado, por sonegação fiscal. Em 2009, Jamil foi inocentado da acusação de tráfico de drogas. Em maio de 2011, o Tribunal Regional Federal da 3ª Região reviu a pena de mais de 12 anos por crime contra o sistema financeiro para dez anos e seis meses. O paradeiro do empresário, contudo, ainda é ignorado. Em junho de 2011, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) negou habeas corpus para que ele aguardasse, em liberdade, o julgamento de seu recurso contra a condenação pelo crime de evasão de divisas”, disparou a Agencia Brasil.
No velório, jornalistas presentes comentaram até mesmo uma suposta ação do Primeiro Comando da Capital – PCC, grupo paulista que estaria em “guerra” pelo controle do tráfico contra o clã dos Jamil e que teria usado o jornalista para mandar um recado ao concorrente.
Mesmo com todas essas suposições, boatos e informações desconexas não há nada confirmado e a Policia Civil em Ponta Porã também não se pronunciou oficialmente sobre qual linha de investigação deverà seguir e nem se tem algum suspeito.
Lei
A Federação Nacional dos Jornalistas - Fenaj defende que a apuração dos crimes contra jornalistas seja federalizada, conforme previsto no Projeto de Lei 1.078/11. “Avançar para uma rápida tramitação e aprovação de tal proposta, diante dos dois recentes casos de violência contra profissionais de imprensa, hoje se impõe não como um desejo corporativo, mas como uma necessidade premente de um país que realmente reconheça na liberdade de imprensa um pilar fundamental para o efetivo exercício da cidadania e da democracia”, declarou a presidência da Fenaj.
MS Já