“Ah, toma um antibiótico!”. Esta é uma frase bastante utilizada quando o assunto é dor, coceira ou qualquer sintoma que incomode alguém. Os antibióticos são considerados uma panacéia universal. A grande disponibilidade desses medicamentos, juntamente com a publicidade pouco criteriosa, acentua e incentiva o uso abusivo. Mesmo com a exigência de receitas médicas para a aquisição desses fármacos, o uso indiscriminado continua muito alto. Os pacientes desejam remédios que tragam a cura imediata.
Antibioticoterapia adequada não é o uso de antimicrobianos sem indicação médica, nem em esquema errado (dosagem, intervalo de tempo de ingestão) ou por tempo diferente do recomendado. Com isso, as doenças infecciosas são agravadas e, até mesmo, mantidas. Aparecem mais reações adversas, usam-se alternativas antimicrobianas mais onerosas e se produzem mais hospitalizações. O uso irracional de antibióticos contribui para o surgimento das “superbactérias”, que são microrganismos multi-resistentes, cepas capazes de multiplicar-se em concentrações antimicrobianas mais altas do que as doses terapêuticas recomendadas.
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), 50% dos consumidores compram medicamentos para um dia e 90% compram-no para o período igual ou inferior a 3 dias. Os pacientes interrompem o tratamento assim que os sintomas acabam ou o fazem em uso concomitante com o álcool. O consumo de bebidas alcoólicas durante o tratamento não corta efetivamente o efeito do medicamento, mas pode reduzir o tempo que a substância ativa permanece na corrente sanguínea em níveis adequados, fazendo com que a sua concentração no organismo seja alterada e a resposta ao tratamento não seja ideal.
Este é um sério problema que afeta a saúde individual e coletiva. Portanto, os antibióticos devem ser específicos para a bactéria que está causando a infecção e utilizados na hora e na dosagem certas.
Por Thayara Paolla
*Sobre a autora
• Biomédica
• Pós-graduanda em Análises Clínicas pelas Faculdades Integradas de Jacarepaguá
• Consultora em Qualidade
• Suporte em garantia e controle de qualidade em laboratórios clínicos;
• Preparação da documentação e equipe para auditorias;
• Elaboração e atualização de documentação (POP’s – PG’s – Planilhas – Etc.)
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