A urina contém informações a respeito de muitas das principais funções metabólicas do organismo. Além de ser um exame de grande utilidade, é barato e não-invasivo.
O volume urinário depende da quantidade de água que os rins excretam e há certos fatores que influenciam, tais como: ingestão hídrica, variações na secreção de hormônio anti-diurético, perda de líquido por suor, vômitos, entre outros. A cor varia conforme funções metabólicas, substâncias ingeridas e condições patológicas. O aspecto sofre influência por infecção, leucócitos, sangue e demais estruturas encontradas no exame microscópico. Uma urina límpida nem sempre é normal. A densidade depende do grau de hidratação do paciente e ingestão de certas substâncias. O pH auxilia na determinação da existência de doenças sistêmicas de origem metabólica ou respiratória.
A determinação das proteínas é o exame químico mais indicativo de doença renal, sua presença requer testes adicionais, já que nem sempre significa problema renal. Podem estar presentes em infecções, nefropatia diabética, febre alta, exposição ao frio, etc. A determinação da glicose é mais precisa quando o paciente realizou jejum corretamente, já que há pequena quantidade presente em urinas normais. A glicosúria é indicativa de diabetes, pancreatite, câncer pancreático, hipertireoidismo e outros. As cetonas são produtos do metabolismo incompleto dos lipídeos e a sua presença na urina está relacionada com condições metabólicas nas quais a gordura, ao invés dos carboidratos, é usada como fonte de energia. Isso ocorre no diabetes mellitus não controlado, alcoolismo, jejum prolongado e raras doenças metabólicas hereditárias. A presença de sangue resulta de sangramento em qualquer ponto do trato urinário, desde o glomérulo até a uretra, podendo ser devido às doenças renais, infecção, tumor, cálculo, etc. A presença de bilirrubina indica obstrução das vias biliares (cálculos, câncer) ou lesão dos hepatócitos (hepatite, cirrose). Sua detecção, em combinação com o urobiligênio, é importante na suspeita de doenças hepáticas e na investigação das causas da icterícia. O aparecimento do urobiligênio na urina acontece também na insuficiência cardíaca congestiva, estados de desidratação e febril. A presença de nitritos indica infecção do trato urinário (cistite, pielonefrite) e é útil na detecção da bacteriúria assintomática.
No exame microscópico, a presença de leucócitos em número significativo indica infecção urinária ou processos inflamatórios do trato genito-urinário (glomerulonefrite, lúpus eritematoso, tumores) sem a presença de bactérias. É comum a presença de células epiteliais em pequena quantidade, mas podem estar aumentadas em várias infecções do aparelho urogenital, por exemplo: presença de clue-cells na infecção por Gardnella vaginalis. A urina originalmente é um líquido estéril, mas sofre contaminações vaginal, uretral e da genitália externa durante a coleta. Uma infecção verdadeira por bactérias, fungos ou leveduras deve ser acompanhada de leucócitos aumentados. O parasita encontrado com maior freqüência é Trichomonas vaginalis, que é sexualmente transmissível e na infecção de uretra masculina e prostatite é assintomático. Os filamentos de muco podem estar aumentados nas uretrites.
Os cristais raramente têm significado clínico. Porém, alguns deles podem representar doença hepática, erros inatos do metabolismo, insuficiência renal ou danos causados nos túbulos. Os cilindros são únicos elementos encontrados no sedimento urinário que são exclusivos do rim, devem ser identificados quanto à sua composição. A largura e composição do cilindro depende do túbulo renal em que ele se formou.
Sobre a autora
• Biomédica
• Pós-graduanda em Análises Clínicas pelas Faculdades Integradas de Jacarepaguá
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