quarta, 09/fevereiro/2011 12:47:00

'Meu Mato Grosso do Sul', por Isaac Duarte de Barros


Isaac Duarte de Barros Junior

Repartir o velho Mato Grosso em dois, para criar um novo estado na federação, foi algo esperado que acabou acontecendo, devido antigas aspirações separatistas regionais. Além disso, havia o forte argumento por parte da população, reclamando da distancia existente entre as cidades matogrossenses do sul e a administração política na distante Cuiabá. Essa imensa região, possuindo costumes diferentes, muitos deles adquiridos durante a colonização migratória, no transcorrer do tempo assumiu até um sotaque díspar daquele falado pelos moradores no norte. Assim, não seria depois de tantas lutas históricas para conseguirmos realizar a nossa divisão estadual, que por colocações equivocadas de algumas pessoas ao noticiar fatos, em emissoras de outros estados da federação, tenhamos que mudar o nome de Mato Grosso do Sul.

Portanto, melhor ficaria, se nos meios de comunicação, os ancoras da televisão brasileira atualizassem seus conhecimentos geográficos, fazendo-os juntamente com repórteres e escritores de novelas das grandes redes televisivas do país. Pessoas estas, contumazes em alterar nomes, ao mencionarem localidades turísticas no interior deste estado criado pelo presidente Ernesto Geisel. Mesmo porque, as histórias contadas nas antigas terras habitadas pelos índios da etnia Paiaguá, são demasiadamente diferentes das contadas pelos patriotas Guaicurus do sul, que sempre possuíram outra trajetória de vida, heroicamente datada desde a guerra do Paraguai.

Esses valentes cavaleiros nômades, símbolos da nacionalidade, combateram em Humaitá e Lomas Valentinas. Mais tarde, serviram de guias dos pioneiros gaúchos revoltosos na querência. Também migrantes do pampa, esses nativos guerreiros lutaram lado a lado com os brancos, combatendo estoicamente na genocida guerra da Tríplice Aliança. Nessa época desbravadora, aqueles, iguais consumistas do chimarrão, ajudaram os gaúchos a fincar raízes na fugitiva chegada ao Mato Grosso, quando derrotados em revoluções, juntamente com suas famílias queriam escapar das degolas no Rio Grande do Sul. Centauros daqueles dias épicos, esses índios troteando altivos no lombo de cavalos, muitas vezes foram confundidos pelos tropeiros errantes na pradaria, onde o homem moreno camuflava-se deitado rente com a pelagem do animal, movendo-se veloz de lança em riste.

No começo da primeira metade do século vinte, na revolução de 32, o advogado dr. Vespasiano Martins seria nomeado governador de Mato Grosso Sul em Campo Grande, durando pouco aquele mandato estadual sulista independente e a fase de governadoria desse patriota. Porém, desde aquela época da primeira tentativa divisionista, foram tantas as diferenças de interesses, agravados pelas picuinhas de caudilhos, que os deputados federais e senadores, nem pareciam ser parlamentares representando um mesmo povo dentro da vastidão do velho estado de Mato Grosso.

Finalmente, os idealistas do século vinte, conseguiram realizar a sonhada divisão do estado colosso, no dia 11 de outubro de 1977, através da Lei federal complementar nº 31. Todavia, os jornalistas da chamada grande imprensa, acostumados com o velho nome estadual, prosseguiram na mídia de maneira esquisitamente desinformada, geograficamente errôneos, citando os nomes de cidades sul-mato-grossenses. Desse modo, sempre trocam suas verdadeiras localizações em transmissões radiofônicas ou televisivas, motivadas em qualquer tipo de reportagem.

Para piorar essa impertinência quase coletiva, dezenas de políticos migrantes, sem grandes apegos históricos com este pedaço de chão, se transformaram ungidos pelo voto popular, em pessoas ilustres no estado, escalando o cume do poder de mando político em Mato Grosso do Sul. Mas, despossuídos de qualquer vínculo com os anseios dos desbravadores e as tradições pioneiras, imediatamente passaram a incentivar diversos movimentos, sugerindo a radical mudança no nome acalentado deste estado. Pois, para eles, esse se tornou como alternativa, o meio mais simples para exterminarem os equívocos informativos diários, praticados por repórteres brasileiros na imprensa nacional...

***advogado criminalista, jornalista.


1 Comentário

Que me perdoe os contras, mas não se trata apenas da imprensa chamar nosso rincão de Mato Grosso, mas de quase todo o povo das demais unidades da federação!! Pra eles não existe o Mato Grosso do Sul! Pra se ter uma idéia, vem desde a confusão quando se escolheu o nome que na época foi até vendida a idéia, la fora do Estado como fossem Mato Grosso do Norte e do Mato Grosso do Sul!!! Mas, até hoje predomina tudo Mato Grosso, pelos nossos vizinhos!! É assim nos congressos, é assim também na visita a praia, na visita a cidade natal, ninguém de lá nos chama como sul matogrossenses!!! Então vejo que única maneira de sermos reconhecidos e identificados pelos nossos vizinhos seria a troca do nome Mato Grosso do Sul, por outro!!! Esse outro tem que ser um nome forte e que represente o que melhor temos aqui!! E o que temos aqui que possa exposto ao mundo é nosso Pantanal!! É claro que não e só o Pantanal, mas este é o mais importante. Por isso defendo o nome Estado do Pantanal. Quanto custaria essa mudança.. Uma ninharia e a identidade de um povo não tem preço!!!

 
DIREITONEWS.COM em 11 de fevereiro de 2011 - sexta às 00:23

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