quinta, 27/janeiro/2011 13:53:00

'Escolhas', por Isaac Duarte de Barros Junior


Quando escolhemos as nossas amizades e uma cidade para viver, adotamos os costumes da época, não nos preocupando com os possíveis resultados desse comportamento. Transcorrendo anos, no curso do tempo, mesmo assistindo alguns familiares e conhecidos morrerem, vendo a cidade escolhida expandir, velhos lugares transformarem, fingimos que nada modificou. Entretanto, chegando ao ocaso da existência, dependendo das nossas biografias, seremos considerados pessoas dóceis ou amargas. Pois, todas as características do caráter, se formam na tenra idade do ser humano, provavelmente no primeiro vagido. Acredito que as lembranças, são dádivas presenteadas para os bons, enquanto que as amarguras, devem ser punições destinadas aos maus. Na juventude, nós aprendemos amar. Envelhecendo, aconselhamos.

Tendo usufruído da companhia de pessoas com excelentes qualidades intelectuais, num bom eito desde o dia em que nasci, sinto-me quase preparado a orientar os menos experientes. Afinal, se errar faz parte da nossa conduta racional, teimar é algo estafante e irracional. Portanto, haja benevolência e paciência, ao lermos em jornais impressos, fanfarronadas vindas dos causadores de falcatruas municipais noticiadas recentemente, imbecilidades que todo o assíduo leitor de colunas políticas às vezes lê estarrecido. Entretanto, precisamos ter cuidado, porque os larápios sempre voltam, ou tentam retornar, bastando dar-lhes espaço e descuidar. Para evitarmos esse repetir desgastante, o colonizador norte americano Thomáz Jefferson, recomendava a eterna vigilância aos habitantes da sua pátria em formação. Tomara que utilizem esse pertinente conselho antigo, os nossos munícipes. E nunca mais permitam a ascensão neste pedaço de chão, receptivo aos emigrantes e migrantes de todos os recantos da nação, de aventureiros sequiosos do mando.

Certamente, a esperada normalidade democrática no legislativo douradense, enquanto estiverem inconclusos os procedimentos de cassação por falta de decoro parlamentar em desfavor dos vereadores processados, inexistirá. Acontece que a resistência parva destes edis afastados, sem considerar o desgaste moral no qual se envolveram, indubitavelmente prevalecerá inexaurido até extinção dos seus mandatos. Naturalmente, para a felicidade dos seus advogados e a vergonha da população que continua pagando uma quantia elevada mensal para oito desocupados.

Felizmente, ao menos estão afastados por decisão judicial, acionada pelo Ministério Público, fiscalizador e indivisível no Mato Grosso do Sul. Mas, certamente esse final da operação policial uragano, ainda vai balançar os pilares do Palácio Jaguaribe, sede da Câmara Municipal. Assim, nos próximos quatro anos, mesmo sem termos eleito o senador, talvez possamos dar a volta por cima, elegendo um douradense governador.

Por enquanto, tomara que a escolha do futuro prefeito, nestas eleições convocadas, desta vez recaia sobre uma pessoa culturalmente preparada, principalmente com experiente grau de conhecimento do serviço público. Evitando-se de novamente, nossos eleitores sufragarem um nome populista. Porque esses tipos de próceres espertos, querendo desesperados deixar o anonimato, nessas oportunidades vivendo num país cheio de desigualdades sociais como o nosso, prometem até o impossível. Destacadamente, neste século farto de pessoas ricas e pobres, quando muitos aproveitam dessas diferenças e usam essas características para fazerem emocionantes discursos, culpando as elites pelas desgraças existentes. Incitando, o confronto de classes, incriminam os abastados, pelos eventuais desastres sociais existentes em qualquer lugar.

E embora, o esquecimento de em quem votou, seja a regra do eleitor brasileiro, creio que os eleitores douradenses dificilmente cometerão os mesmos erros da ultima eleição municipal realizada, quando elegeram Ari Valdecir Artuzi, sufragando votos de protesto. Atitude, que colocou nossa cidade em desconforto, ao preterir-se nomes capazes, naquele pleito. Desse modo, em 2014, será provavelmente na condição de delinqüente condenado pelos desmandos praticados no município, que o ex-prefeito processado, assistirá o referido pleito governamental. Isto é, se esse mau caráter, demagogo semi-alfabetizado, ainda estiver morando aqui...

*advogado criminalista, jornalista.


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