Terminando o regime monárquico da dinastia imperante, após ser proclamada a república brasileira através de um velho marechal enfermo, amigo particular do imperador, os novos governantes iniciariam lutas conspiratórias de bastidores, pelo supremo comando do poder. Assim, pressionado o marechal Deodoro da Fonseca, acabou renunciando seu mandato presidencial, substituindo-o seu vice, marechal Floriano Peixoto. Pois, esses dois, em comum só tinham a farda militar e a região de nascimento. Já o civil Ruy Barbosa, ministro e depois senador, queria ser presidente, porém perdeu o pleito para o marechal Hermes da Fonseca. Quanto a Getúlio Vargas, ex-ministro da fazenda do presidente Washington Luiz, conspirando numa revolução, prendeu e depôs o seu ex-chefe, impedindo a posse do paulista eleito para presidente, Júlio Prestes. Posteriormente, Getúlio governaria o país por mais dezenove anos.
Os marechais Humberto Alencar Castelo Branco e Arthur da Costa e Silva, também presidentes da república, foram eleitos pelo voto indireto no Congresso Nacional. Enquanto que os generais de exército, Emílio Médici, Ernesto Geisel e João Figueiredo, também chefiaram o executivo brasileiro, pela mesma via. Dois vices-presidentes da república tiveram destinos políticos diferentes. O jurista Pedro Aleixo foi impedido de assumir seu natural cargo presidencial, embora fosse o vice-presidente no impedimento de Costa e Silva, ocasionando ser substituído por uma junta militar.
Entretanto, o advogado João Goulart sendo empossado presidente, terminou deposto através de um premeditado matreiro golpe militar. As chamadas intentonas comunistas, supostamente tramadas em determinadas camadas operárias, costumeiramente acaloraram instintos golpistas. Uma ditadura foi civil e outra militar truculenta. Mas, como ocorre em todos os regimes discricionários, essas autocracias perseguiram, prenderam, bateram, mataram pessoas proeminentes, estudantes e intelectuais.
Dessa triste maneira, alimentada com caudilhismos, ilegalidades e revoluções, a república brasileira empanturrou-se com violências, quando chamada de velha ou apelidada como nova. Todavia, sob forma de governo, a república brasileira deixou muito a desejar. Fatalmente, sabemos que os presidentes Afonso Pena e Tancredo Neves, morreram de doença, sem assumir os seus cargos. Já, o jovem Fernando Collor, feito presidente no voto, enredou-se num burburinho alagoano de escândalos, obrigando-o a renunciar, senão, seria inevitavelmente cassado.
Então, o seu vice Itamar Franco, mineiro topetudo, assumiu a chefia da república. Desse modo, fez o negócio representativo de se eleger vice-presidente no Brasil, ser considerado uma oportuna função, nascida nos tempos do vice-presidente Nilo Peçanha, parando no culto presidente José Sarney. Em síntese, na exótica república brasileira fundada no século dezenove, pois admiti-la proclamada é piada, o ilustre “general” golpe sempre esteve presente, comandando grupos civis e tropas militares.
Muitas vezes, brigando nas quarteladas do Rio de Janeiro, ou passando revista em tropas nos pampas do Rio Grande do Sul, a república balançou. Assim, as revoluções republicanas esquematizaram estratégias nas montanhas de Minas Gerais, redundando desembarcarem nas avenidas centrais da industrializada paulicéia desvairada, dos poemas de Mário de Andrade. E oriundo de lá, numa carreira meteórica, o torneiro mecânico Luiz Inácio da Silva, retirante nordestino enrolado na língua ou tropeçando nas palavras, subiria a rampa do palácio da Alvorada.
Dali, ele governaria por sete anos o país, fechado num gabinete do prédio arquitetado pelo Oscar Niemeyer, engenheiro contratado pelo ex-presidente Juscelino Kubitschek, para construir a obra no planalto central do estado de Goiás. Lula, presidente da república, inimigo declarado das elites nos discursos, foi tolerante com violadores de propriedade privada. Gostando de voar pelo mundo, visitava ditadores. Dessa forma, proporcionou ao seu vice-presidente José de Alencar, substituí-lo em diversas ocasiões, governando. Isto, até elegerem uma ex-guerrilheira, sem marido, que ungida pelo barbudo do abc paulista, finalmente fez a república brasileira vestir saia...
*advogado criminalista, jornalista.