quarta, 22/fevereiro/2012 08:49:00

Assassinato de jornalista na fronteira expõe insegurança da profissão


Ser jornalista está se tornando profissão de risco no Brasil. Após a morte do jornalista Paulo Rocaro em Ponta Porã, ainda sem esclarecimento e sem explicações por parte da Polícia e das demais autoridades, outros casos de agressão estão ficando cada vez mais comuns no Brasil.

No começo do mês, em Campinas, São Paulo, jornalistas que chegavam ao estádio Moisés Lucarelli foram agredidos por torcedores que estavam lá para assistir o jogo São Paulo e Ponte. Não se sabe ainda o motivo das agressões.

Na cidade de Barreiras, Bahia o jornalista Carlos Alberto Sampaio, acusa o vereador Sidnei Giachini (PP) de tentá-lo agredi-lo e de preferir palavras de baixo calão, precisando ser contido por populares e funcionários da Prefeitura de Luís Eduardo Magalhães para evitar que o ato se consumasse.

No final de janeiro em São Paulo o repórter Felipe Frazão, da TV Estadão, foi agredido por um manifestante enquanto cobria protesto em São Paulo contra ações do governo na cracolândia e em Pinheirinho.

O fotógrafo e diretor do site Nossacara, de Eunápolis, Bahia, Urbino Brito, foi agredido no dia 05 de fevereiro por um jovem de vulgo “Dingo”, filho de um comerciante local do ramo automobilístico, que ainda feriu mais duas pessoas com garrafas de cerveja. Motivo: fotografou o jovem bloqueando a passagem de pedestres com o carro.

Mais casos

Já o jornalista André Luiz de Oliveira, da Rádio Frequência Garopaba, Santa Catarina apanhou porque estava registrando as atividades de um caminhão utilizado em limpeza de fossa, em um restaurante à beira mar. Levou 10 dez pontos no rosto e ainda corre o risco de perder parcialmente a visão do olho direito.

Em Caxias do Sul, o ex-deputado federal e ex-prefeito da cidade gaúcha, Paulo Marinho ameaçou o editor da coluna Caxias em Off, do Jornal Pequeno, Jotônio Vianna, que o deixou irritado com as análises do jornalista sobre a sucessão municipal. No blog que mantém lembrou a morte de um jornalista de Caxias ocorrido em 1992 e disse que o fato poderia se repetir agora com Jotônio Vianna, que registrou boletim de ocorrência contra o acusado.

Em Campo Grande quem foi agredido foi o jornalista Ademar Cardoso, 49 anos, durante o evento de Desfile de Fantasias do Armazém Cultural. A assessoria da empresa privada que prestava serviço à prefeitura da capital disse que os seguranças estavam apenas se defendendo do jornalista.

No Carnaval de Recife quem levou a pior foi o repórter do NE10, Nilton Villanova que fazia a cobertura dos desfiles de blocos nas ladeiras de Olinda, no início da tarde de domingo (19), quando foi surpreendido por um grupo de jovens. Além de levarem o equipamento de trabalho do jornalista (um IPhone), os jovens o cercaram e o agrediram com socos na barriga e empurrões.

Já Paulo Rocaro foi o segundo jornalista morto no Brasil este ano. Antes dele, haviam assassinado no Estado do Rio de Janeiro, na cidade de Vassouras, Mário Randolfo Marques Lopes e de sua companheira Maria Aparecida Guimarães, ambos executados com um tiro no ouvido.

Mário havia sofrido um atentado em julho de 2011, quando recebeu cinco disparos de um homem encapuzado, no seu antigo endereço em Vassouras. O atentado não foi esclarecido pela polícia e ele mudou para Barra do Piraí. Ele veiculava denúncias de corrupção e escândalos políticos no site “Vassouras na net”, de sua propriedade.

Em 2011, a ONG Repórter Sem Fronteiras registrou a queda do Brasil, em 41 posições, no ranking mundial da liberdade de imprensa elaborado pela entidade.

A insegurança presentes em todas as regiões foi determinante para o país ocupar a 99ª posição. A cobertura de temas como a corrupção, meio ambiente e crime organizado foi apontada como a mais perigosa para jornalistas e blogueiros brasileiros. Foram assassinados quatro jornalistas no ano passado e o cinegrafista Gelson Domingos foi alvejado por um tiro durante uma cobertura no Rio de Janeiro. Nenhum dos crimes foi solucionado.

Federalização já!

Em nota, a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) repudia as mortes e cobra rapidez na apuração dos fatos. "Solidarizamo-nos com seus parentes, amigos e colegas de profissão. Exigimos a imediata e profunda investigação das autoridades competentes, com a consequente punição dos responsáveis e cobramos do governo e do Parlamento federal medidas urgentes para que o Brasil não prossiga avançando no ranking internacional de violência contra jornalistas", diz a nota. A entidade ainda pede ao Ministério da Justiça iniciativas para o reforço das investigações e rápida apuração das responsabilidades pelos crimes.

A Fenaj também defende que a apuração dos crimes contra jornalistas seja federalizada, conforme previsto no Projeto de Lei 1.078/11. “Avançar para uma rápida tramitação e aprovação de tal proposta, diante dos dois recentes casos de violência contra profissionais de imprensa, hoje se impõe não como um desejo corporativo, mas como uma necessidade premente de um país que realmente reconheça na liberdade de imprensa um pilar fundamental para o efetivo exercício da cidadania e da democracia”.

MS JÁ com Fenaj e Observatório da Imprensa


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