Mudados aspectos em meus movimentos de locomoção na forma independente, percebi que os meus limites físicos migraram para o intelecto, juntamente com a minha percepção. Fazendo-me um observador melhor e permanente, passei a fiscalizar procedimentos humanos. E graças a essa dádiva, cheguei a uma triste conclusão. Percebi, envolvido por esse comportamento observativo, que vivo num país sem grandes planos, para não dizer completamente desorganizado.
Lugar, onde primeiro facilita-se acessos para determinadas profissões. Depois, esses profissionais liberais ou não, saturam o mercado de trabalho. Em seguida, algum Ministério da federação brasileira, inventa regras, faz concursos e cria cargos para abrigar os profissionais mal sucedidos.
Acredito ter sido exatamente assim, que o nosso governo federal, chegou à fantástica soma de vinte e dois mil cargos de confiança. Afinal, costumeiramente, se estatiza dessa forma a ocupação cargos favorecendo companheiros ou cabos eleitorais antigos. Desta maneira tupiniquim, diversas pessoas imediatistas, sem planejamento e criatividade, passam a ter a mesma atividade.
Na iniciativa privada, grassa situações comerciais, com milhares de pessoas realizando a mesma coisa.
Exemplifico tal disparate, comentando aquilo que acontece nas pequeninas Vilas Vargas e São Pedro, onde a maioria dos colonos ali residentes, simplesmente transformaram seus lares em lojas de artesanato na fachada.
Detalhe: cada uma delas, inaugurada ao lado da outra. Acertadamente, se vampiro não fosse lenda, existissem esses morcegões, todos passariam bem longe desses dois lugares referidos, cheios de odores fortes do alho, iguais aos dos vilarejos seus vizinhos, decididos a vender feijão e comercializar toda a qualidade possível de réstias.
Quanto ao perímetro urbano do mater município douradense, este não é muito diferente desses locais. Porque houve um tempo em Dourados, que todos os dias, empresários inauguravam um novo estabelecimento, destinado à exploração de algum bar. Nessa época, na Avenida Marcelino Pires, do povoado de quarenta mil habitantes, chegaram a existir doze bares. Pasmem, isso tudo se deu num mesmo quarteirão, na década de sessenta! Hoje, lembrando esse período desorganizado do lugarejo, igualmente no presente, inaugura-se mais farmácias no perímetro central da cidade, que as necessidades consumistas de medicamentos.
Postos de gasolina então, em contrapartida se expandem por todas as esquinas, apenas com bandeiras diferentes, enquanto que outros, sendo antigos se modernizam, introduzindo as famosas conveniências, formando devido essa criatividade, aglomerados baderneiros. Nesses lugares, jovens de todas as castas sociais, misturados embriagam-se, trancando ruas e avenidas, fazendo decibéis intensos, provocando sons permanentes não permitidos em lei, ganharem os espaços em volta, violando o silencio tolerável.
Contudo ocorrendo isso, também nas profissões liberais, destacadamente no campo do direito, não fossem os exames obrigatórios da OAB, hoje teríamos mais advogados no mercado, que clientes. Aumentando esses absurdos, assistimos calhar na zona rural, o êxodo volumoso dos agricultores rumo às cidades, advindo de maneira cada vez maior.
Desse modo, do jeito que as mudanças de plantio se desenvolvem rapidamente, logo viveremos numa região, cercada de imensos canaviais. Porque plantio de feijão, arroz, trigo, soja e algodão, devido à falta de incentivos governamentais, fazem vontades serem desestimuladas, afastando os tradicionais agricultores dos campos.
Assim, seguem aumentadas as numerosas famílias desempregadas, oriundas do campo, que morrem a míngua nas periferias, chegando causar dó nos transeuntes. Paralelamente, prossegue o sonho tolo do enriquecimento rápido, estimulado pelos vícios pagantes dos milhares de dependentes químicos.
Desgraçadamente, o tráfico de drogas aumenta a violência urbana, alimentada pelos desocupados, que matam para roubar, cometendo esses latrocínios em qualquer hora do dia e da noite. Pior mesmo, é verificarmos que no meio disso, existe uma Constituição Federal, textualmente lecionando: Segurança Pública um direito do cidadão brasileiro!...