sexta, 22/julho/2011 13:55:00

"Criatura e Criadores"

Isaac Duarte de Barros Junior


Os famosos perfis históricos de algumas pessoas célebres, pelas minhas escassas pesquisas em antropologia, levaram-me a conclusão que estes personagens, em sua maioria foram formados a partir do cunho redacional dos seus criadores. Exemplos, do aqui afirmado, estão no alfarrábio místico, que já vendeu mais de seis bilhões de volumes em todo o planeta. Escrito há três mil anos por um povo primitivo, esse pergaminho afamado, recebeu em grego o nome de biblos e tanakh num dialeto hebreu. Na língua portuguesa, simplesmente o chamamos de bíblia. Dessa forma, segundo as escrituras ou textos desse livro religioso, o aparecimento do homem na crença do cristianismo, deu-se por inspiração divina, tendo como matéria prima o barro do Éden. Todavia, cientificamente a teoria das espécies darwiniana, já afligiu enormes estragos na fé dos homens bem informados, contrariando o gênesis.

Aliás, muitos estudos sem o misticismo dos escritores bíblicos, provaram que o harpista hebreu Davi, era um pastor de ovelhas nascido na orla do deserto arábico. Sendo autor da pedrada fatal nas têmporas de um soldado gigante, campeão filisteu, supostamente chamado Golias, o ato abriu-lhe o caminho para o trono. Todavia, esse pastor beligerante, que mais tarde foi ungido soberano de Israel, pela brutalidade das armas colecionou barbáries. Pois sendo um homem rude, nada civilizado nos costumes usados, ele praticamente destronou o antecessor. No trono, Davi sufocou diversas rebeliões israelitas, massacrando quem o enfrentou, incluindo nesses enfrentamentos Absalão, um filho rebelde.

Mas, mesmo querendo transformá-lo numa pessoa de princípios morais elevados, seu biógrafo semita, não conseguiu esconder as suas fraquezas por belas mulheres, tivessem elas marido ou não. Entretanto, morrendo com idade avançada, o maior feito de Davi, foi unir as tribos nômades da sua região, desde o Rio Eufrates até o Egito, criando um império que chegou ao seu auge pelos estratagemas guerreiros do filho Salomão. Cuja mãe, ex-adúltera, tornou-se uma das esposas desse violento monarca. Quanto o fato da decantada sabedoria atribuída ao rei Salomão, esta parece resumir-se nas virtudes desse déspota saber fazer pilhagens, retirando na partilha dos tesouros amealhados no final das batalhas, verdadeiras fortunas dos inimigos vencidos.

Porém, se na antiguidade os contadores de histórias estrangeiras, não pouparam esforços, quando escreveram exageros biográficos dos seus monarcas. Em datas mais recentes, alguns pintores brasileiros como Pedro Américo, também pincelaram pataratas históricas. Afinal, quiséssemos polemizar o tamanho do engodo na tela, bastaria observarmos atentamente o ato da nossa proclamação de independência as margens do Rio Ipiranga, para logo denunciarmos uma falha. Porque nessa aquarela, pintou-se o príncipe regente Pedro l ladeado por soldados engalanados, brandindo o seu grito imortal. Entretanto, essa escolta só foi criada militarmente, depois da sua ascensão ao trono imperial. Portanto, a imagem dessa guarda de honra nas cores do guache, que agora serve como guarda presidencial no planalto, é um equívoco desse pintor.

Ademais, se errar é humano, burrice é continuar negando verdades. Principalmente, com relação à data de emancipação do município douradense. Desse modo se persistirem, daqui mais cem anos no futuro, a efeméride será lembrada na forma errônea atualmente festejada, mudada oficialmente sei lá por quem. Porém, eu douradense nato, li na ata original de instalação do município de Dourados, ex-Distrito do mesmo nome, escrita textualmente a informação histórica inegável, que este município foi desmembrado do município de Ponta Porã, sendo “criado pelo Decreto n. 30 de 23 de dezembro de 1935, pelo interventor Mário Correa da Costa”. E essa ata histórica, ou documento paradigma, ainda permanece guardado nos arquivos cuiabanos, existindo uma cópia dessa ata da instalação, no acervo do falecido coronel Juca de Mattos...

*advogado criminalista, jornalista.


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