segunda, 22/novembro/2010 07:25:00

Consciência Negra? por Isaac de Barros

Isaac Duarte de Barros Junior*



Se existe algo que sempre me irritou ao tomar conhecimento, são os atos de preconceito racial. Educado em uma família de desbravadores, cujo patriarca sulino pioneiro era abolicionista convicto, nunca uso o pejorativo preto ou preta quando me refiro a qualquer pessoa de epiderme negra. Pois francamente, entendo ser esse um comportamento leviano e desagradável. Em síntese, uma grosseria no trato social para com as pessoas. Ademais, foram os negros e índios desaldeados, os nossos ancestrais genéticos. Penso que preconceitos raciais jamais deveriam ser punidos criminalmente e sim psiquiatricamente. Porque tais atitudes, de evidente desequilíbrio mental, indicam necessários recolhimentos desses doentes, se condenados, em manicômios. Portanto, interná-los num hospício, seria procedimento menos oneroso, oportunizando-se recuperações, ao invés de processarmos esses malucos e depois recolhe-los numa cadeia.

Porém, vivendo num país que possui a segunda maior população negra do planeta, discordo das famosas cotas nas faculdades. Entendo que as destinando aos vestibulandos da cor do ébano, o Ministério da Educação brasileiro, involuntariamente, comete crimes de racismo. E certamente, muitos brasileiros comungam desse meu pensamento. Afinal, negros, brancos e amarelos, deveriam ser tratados de forma igualitária e não simplesmente evidenciarmos placidamente, professores aplicando usos de critérios diferenciados, como fazem os agentes do ensino, nas oportunidades destes acenderem as portas do acesso a escolaridade superior. Ocorre que diante dessa imposição pela força da lei, dissimulada e descaradamente, praticam-se preconceitos raciais nas universidades.

Acontece que nossos encarregados de executá-la, sempre agem burocraticamente, como se determinadas raças fossem inferiores no raciocínio. Insistem alguns deles, nesses politiqueiros costumes, defenderem teses que negros precisem do jeitinho nacional para ingressar nos cursos superiores. Acertadamente, o fato de alguém concluir seus estudos numa faculdade brasileira, atualmente não significa que esse formando possua cultura. Porém, os problemas existentes no ensino médio, estão sendo discutidos nas reformas do ensino fundamental e as provas do ENEM já começam a filtrar os possuidores das condições de receber diploma em nível universitário. Inclusive a precursora OAB, iniciou estudos para impor maior rigor nos exames internos de capacitação, estendendo-os aos advogados interessados em fazer sustentações orais.

Desse modo, deduzo que a aptidão e a consciência, evidentemente não possuem cores. Porque obviamente, somos humanamente todos iguais em capacidade. Concluo esse conceito, sem aprofundamentos ou necessários estudos da antropologia. De resto, considero uma besteira dos movimentos afros e das minorias étnicas, inventar-se mais feriados comemorativos na pátria das efemérides ociosas. Enfim, certamente o lendário africano Zumbi, criado pelos padres jesuítas portugueses, pela alcunha batizada, devia dormir pouco e pensar muito. Lutando nas emboscadas sangrentas, esse audaz guerreiro da Serra de Palmares, quis apenas acabar com a escravidão dos homem por selvageria de outros homens. Seus descendentes, negros brasileiros, tempos depois conseguiram. Quis o lendário Zumbi, uma pátria para seu povo despatriado e os afro-descendentes ganharam o respeito de um continente, apelidado pelos navegadores escravocratas de novo mundo.

Assim, não devemos esquecer que historicamente, no século dezenove, os “Voluntários” da Pátria como aliados do congressista senador Joaquim Nabuco, fizeram do negro escravo, novamente um guerreiro. Desta feita, para fazê-lo defender a sua terra invadida, país que ele bravamente havia colonizado sob o jugo da chibata dos feitores. Com dito triste acontecimento, conscientes da grandeza do gesto, nacionalistas negros então beligerantes, quebraram os últimos infames grilhões das correntes que lhes prendiam as senzalas. Todavia, colocar cores, ainda que a negra sofrida, numa data em vermelho no calendário brasileiro, equivale a estimular o abismo social entre a dignidade e a almejada igualdade racial. Qual seja aquela que esperamos civilizadamente existir, ao menos de pessoas em relação a outras...

Advogado criminalista, jornalista.
Email: isane-isane@hotmail.com


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