segunda, 26/setembro/2011 08:00:00

"Começou tudo novamente"

Por Isaac Duarte de Barros Junior


As espúrias pesquisas eleitorais, instrumento moderno de induzir o eleitorado a votar no candidato já ganhou, começaram a ser feitas pelos partidos políticos. Por esse sistema, interessados em candidatar-se pagam pela pesquisa e iludem-se com os resultados, enquanto as siglas martelam na mídia, nomes que lhes interessam ver passar pelo crivo das convenções partidárias. E como políticos, coligados a vaidades, conhecem bem essa mutreta, logo começará o sobe desce dos nomes interessados em disputar cargos eletivos. Nas cidades, filhas da CAND, diversos descendentes de colonos devem postular cargos no próximo pleito, para o executivo e legislativo. Chegou, portanto, a hora das circenses reuniões, promessas de campanha, e dos oradores insuportáveis. Pois, ninguém consegue estimular certos candidatos, a se manterem calados.

Logo, começará a fase dos tapinhas nas costas, apertos de mão e das pessoas metidas a serem celebridades, se cruzarem pelas ruas e comícios. Algumas estarão pedindo votos e outras, votando. A festa da democracia, ou da hipocrisia, ressuscitará os chatérrimos cabos eleitorais uniformizados, a maioria formada por gente fazendo bico, até achar uma melhor colocação empregatícia. Nas residências, santinhos nas caixas do correio, devem misturar-se aos avisos de contas vencidas no mês e onde não houver campainhas, aguentem-se as palminhas soando nos portões de residências. Visitas inesperadas, de figuras que o eleitor antes só conhecia pela mídia, surpreenderão os anfitriões, entrando para tomar um café. Talvez, depois do pleito, a visita não se repita.

No horário político, naturalmente destinado aos próprios, biografias serão apresentadas, enquanto que outras serão hostilizadas. No costumeiro método de lavar roupa suja em público, feito através de outro mal lavado, baixarias certamente acontecerão. Agencias de publicidade, tirando as contas do vermelho, estarão assessorando os candidatos mais ricos, enquanto os postulantes menos abastados, gastarão as solas dos sapatos, conclamando eleitores igualmente menos afortunados como eles, a sufragarem seus nomes na cabines eletrônicas. Candidatos natos e adotados recordarão tentando sensibilizar o eleitorado, que um dia engraxaram sapatos e venderam jornais. Aliás, um velho costume dos postulantes a cargos eletivos, despossuídos de uma melhor performance para entabularem uma conversa nas vilas e bairros.

Acertadamente, crápulas que denegriram a imagem política douradense, devem reaparecer posando de vítimas na próxima campanha eleitoral. Tomem cuidados, porque eles apoiarão outros próceres do mesmo time safado, dizendo: este é o meu candidato. E farão isso, porque a lei da ficha suja, os impedirá de disputar o próximo pleito. Senão, a lógica seria deles mesmos candidatarem-se a reeleição. Empresários sem empresa, sem escolaridade e sem vergonha na cara, vão disputar vagas na edilidade, onde além do polpudo salário, existe o status de poder vir a ser parlamentar, na segunda maior cidade de Mato Grosso do Sul.

Finalmente, vendo um ex-prefeito douradense, meliante até que ele prova em contrário, ao invés de preocupar-se com uma provável condenação pelo crime de improbidade administrativa, entre outras denúncias, pedindo votos, causa-me repugnância e asco. Afinal, mais feio que seus discursos chulos, somente estaria a sua situação jurídica. Entretanto, qualquer mordidinha de porco, caída de cavalo, entre outras coisas no rosário de besteiras que lhe acontecem, repórteres noticiam. Todavia, pelo amor a esta terra que acolhe todos de braços abertos, esqueçam-no. Façamos um acordo, para aplacar a nossa vergonha de douradenses: ignorem-no. Vez que aqui, nasce e tem gente honrada, esqueçamos esse infeliz ex-caminhoneiro de serraria. Orem, rezem, façam macumba, sei lá mais o que, mas fechem ou pulem essa lastimável página do livro da história. Afinal, as gerações futuras vão rir da nossa tolice cabocla, de elegermos essa triste figura de picadeiro, como o prefeito de Dourados...

*advogado criminalista, jornalista.


1 Comentário

Parabéns pelo artigo Dr. Isaac, só não falou dos candidatos indo em velórios, alguns atém derramando lágrimas por defuntos que nem conheceu para se "solidarizar com os que ainda vivem e votam".

 
Davi em 26 de setembro de 2011 - segunda às 18:07

Envie seu Comentário

Restam caracteres. * Obrigatório