Acho muito difícil das autoridades brasileiras conseguirem o igualitarismo em nosso país, sem usarem critérios que oportunizem aos cidadãos um trabalho digno. Penso que é impossível combater a violência crescente, com essa estapafúrdia lei de execuções penais vigorando. Erra a sociedade, ao criticar os advogados criminalistas, por requererem progressões no regime prisional, pois quem criou esses benefícios foram os congressistas. Até entendo, que praticando paternalismos políticos partidários, como doações de bolsas família, o governo ajude pessoas carentes. Mas, estimula os nacionais e estrangeiros, a continuarem vivendo das expensas desses auxílios, nos morros, nas periferias e estradas.
Porque, enquanto tratarem de forma diferenciada as minorias, esquecidos habitantes carentes, o resultado dessa falta de critérios, será afastar os esperados resultados satisfatórios. Acredito até, que perseverando tais comportamentos, a brutalidade tende a se alastrar nos campos e avolumar-se nas cidades. E obviamente, não é separando pessoas negras em quilombos, indígenas em reservas ou acuando trabalhadores nas favelas, tratando-os como categorias humanas inferiores, valorando-as conforme suas situações econômicas, que iremos construir o país sonhado pelos nossos fundadores.
Entretanto, tenho certeza que se mudarmos esses maus hábitos, nesta geração ainda conviveremos com as sonhadas igualdades sociais, sem quaisquer tipos de preconceitos. Pois me sinto revoltado, vendo agigantar seres intolerantes, separatistas da pacifica convivência outrora existente entre vizinhos. Por conseguinte, é preciso dar um basta nesses despropósitos, que querem separar homens negros nos quilombos, enquanto outros insistem confinar os nossos índios ancestrais em reservas.
Muito embora existam espaços continentais no Brasil, se os congressistas não fizerem uma reforma agrária com planejamento e seriedade, vão continuar existindo as lutas por terras, para desespero dos que nelas querem produzir. E pior ficará o agreste quadro rural, se forem mantidos os atuais enormes latifúndios improdutivos, germinadores das sementes dos grandes desentendimentos no campo. Afinal, será somente modificando determinadas condutas tradicionais em nosso meio interiorano, que atingiremos essas transformações inconcluídas. E é educando as nossas crianças no rito respeitoso pelo próximo, que enfim poderemos combater a todos os preconceitos raciais,
difundidos por grupelhos abastados, argumentadores dessas bobagens. Pessoas que pensam estar nas peles brancas macias, uma suposta raça superior. Para eles, um bando de loucos, as raças consideradas inferiores, sempre possuem uma epiderme mais escura.
Recomendável, portanto, seria preenchermos o tempo dos formadores de opinião, com algo mais aceitável. Por exemplo, reeducar os professores de mentalidade feudal, ministradores de aulas homofóbicas nas faculdades de teologia. Na verdade traduzida, intérpretes de textos supostamente divinos. Porque, só acautelando dessas atitudes preconceituosas, evitar-se-ia que pegureiros evangelizadores, acabem recomeçando a idade das trevas, devido o fato deles não aceitarem as opções sexuais do próximo. Aliás, em nome da religião, nos programas televisivos, brandindo versículos bíblicos, clérigos objetivam dentre outras coisas, a condenação dos “pecadores do sexo”.
Dessa forma, nesta terra das liberdades, inclusive religiosas, interpretando livros sagrados, embora escritos pelos próprios homens, exorcistas apoiados pelas multidões fanáticas, envolvem carismaticamente gente semi-alfabetizada em vigílias de orações. E aos gritos, “convertem os devotos” crentes nessas mistificações, onde graças a um preceito constitucional, ganham fortunas nesta nação. Posto que, “pregando” o cristianismo do rabino nazareno, pode-se ver teólogos no mesmo ato desses milagres, se auto ungindo salvadores das almas dos evangelizados, contribuintes fiéis. Quanto aos dízimos, sustentáculos desses templos, esse dinheiro guardado nas contas bancárias dessas incontáveis igrejas, recebê-lo mensalmente faz parte das predicações nos púlpitos. É como se fossem o preço adiantado, pago pelos adeptos na hora h da passagem para a outra vida, detalhe: eterna! Claro, na promoção religiosa, com direitos de ter até um titulo remido, assegurando descanso espiritual perene no céu...
Isaac Duarte de Barros Junior*
*Advogado criminalista, jornalista.