*Por Gleiber Nascimento
A exportação deixou de ser prática somente das empresas transnacionais e grandes empresas, e direcionada pelo cenário econômico global, passa a ser também, estratégia de desenvolvimento para micro e pequenas empresas. Internacionalizar produtos e serviços não é fácil, portanto exige assessoria, estudos e planejamento seguro que identifique os possíveis mercados internacionais e outras ações necessárias, como as adequações e padronização dos produtos.
A maior parte das empresas de pequeno porte que atuam no comércio exterior, importando e/ou exportando, está localizada em grandes centro financeiros brasileiros. Já as localizadas em territórios mais distantes no interior do país, encontram maior dificuldade, principalmente a falta de informações e esclarecimentos sobre esta atividade, resultando numa cultura avessa que acredita ser um processo extremamente burocrático e de alto risco, além de não ser indicado para micro e pequenas empresas.
Importante lembrar que este segmento é um dos principais pilares de sustentação da economia brasileira, representando 25% do PIB responsáveis por 60% do emprego formal do país e respondendo ainda por 99,8% das empresas que são criadas a cada ano no país.
Vários fatores podem despertar em uma empresa o interesse de ingressar do mercado internacional e se unir ao grupo de empresas exportadores brasileiras, destacando: melhorias financeiras, marketing e status, qualidade e operacionalidade, redução da instabilidade e diluição de riscos, ampliação de mercado e economia de escala e importação de tecnologia oculta.
Diversos projetos foram criados pelo Governo Federal em parceria com entidades do setor visando incentivar a internacionalização de empresas de pequeno porte (EPP), desse modo, aumentar a pauta exportadora do país. Neste artigo, destaco o “Exporta Cidade”, uma iniciativa promissora que gerou grande expectativa, porém não se concretizou.
Lançado no ano de 2006, o Exporta Cidade surgiu a partir da atenção dos resultados positivos obtidos através do incentivo à exportação e à abertura de novos mercados no país. Desenvolveu sob a coordenação do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) com o objetivo de proporcionar ações de apoio e fortalecimento da competitividade exportadora nos municípios, por meio de interação entre setores público e privado, instituições na sociedade e governo municipal, estadual e federal. Em sua primeira fase, foi implantada em 10 cidades com grande potencial exportador, nas cinco regiões do país.
Dourados (MS) foi umas das dez cidades (Campo Largo-PR, Nova Friburgo-RJ, Sobral-CE, Juazeiro-BA, Marituba-PA, Diadema-SP, Anápolis-GO, Jaraguá do Sul-SC e Maués-AM) contempladas com o programa, escolhida por ser pólo produtor de diversos setores industriais, onde adotou a nomenclatura “Grande Dourados Exporta”, para a criação de ambientes favoráveis ao desenvolvimento das vocações produtivas destinadas ao mercado externo, gerando emprego e renda, fomentando a exportação de 39 cidades da região e do sul do estado. O lançamento foi feito pelo então Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior Luiz Fernando Furlan.
Capacitar micro e pequenos empresários em assuntos de comércio exterior e promover produtos por meio de comerciais exportadores ou trading companies eram algumas ações previstas, porém que não saíram do papel, deixando de beneficiar milhares de pequenos negócios e consequentemente, aumentar o poder econômico desses municípios e do Mato Grosso do Sul.
No município, encontramos nichos produtores diversificados, oferecendo produtos que vão desde o artesanato, agricultura familiar, e a confecção, dotados de qualidade e de outros requisitos exigidos pelo mercado internacional, se caracterizando como potenciais exportadores que necessitam de orientação e incentivo, assim como milhares de micro e pequenas empresas brasileiras que têm o interesse em exportar, mas encontram obstáculos, como a gestão familiar, limitada visão de mercado, dúvidas e insegurança na venda para outro país, especificamente as formas de pagamento e entrega.
Fica diagnosticado então, a necessidade do trabalho em parceria do poder público, em suas três esferas, o Serviço Brasileiro de Apoio as Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE), entidades de classe, como as Federações das Indústrias, Associações Comerciais, Industriais e Empresariais e outros órgãos afins, para oferecer o apoio e esclarecimentos necessários e também, apresentar diversas ferramentas existentes de fomento a exportação, como o Exporta Fácil dos Correios e a Redeagentes do MDIC.
Em contraponto, a Secretaria Nacional de Comércio Exterior criou o Plano Nacional da Cultura Exportadora, lançado oficialmente durante o Encontro Nacional de Comércio Exterior (Encomex) Mercosul, que aconteceu nos dias 1 e 2 de dezembro na cidade de Curitiba-PR. Surge com o objetivo de desenvolver e difundir a cultura exportadora nos estados, com a capacitação de gestores públicos, empresários e profissionais de comércio exterior. Um programa moderno, melhorado e visa o trabalho integrado nos estados e desse modo, recuperar e aumentar as empresas de pequeno porte desamparadas pelo extinto Exporta Cidade.
Gleiber Nascimento
Presidente do Conselho Municipal de Juventude
Assessor Parlamentar
Agente de Comércio Exterior da Grande Dourados
Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior - RedeAgentes
http://www.redeagentes.gov.br/ - http://gleiberinternacionalista.blogspot.com